… o acesso a Internet! Se existe uma medida muito eficiente para “educar” os jovens rebeldes nos dias de hoje, é tirar o acesso aos dispositivos eletrônicos e de tabela, bloquear o acesso a Internet (pois será muito duro para eles, ficar sem Facebook, WhatsApp e jogos online). E se isto funciona muito bem em pequena escala, como seria ver medidas do tipo em grande escala? Pois foi exatamente isto o que aconteceu na semana passada no Irã, em vista dos protestos recentes da população em relação ao regime que governa o Estado…
“Iran imposed a near-total internet blackout on Thursday (January 8) as citizens took to the streets for the 12th consecutive day of protests. Multiple network monitoring organizations confirmed that the blackout began at approximately 6:45 pm UTC (10:15 pm local time). Cloudflare Radar reported on X that internet traffic in Iran had dropped to “effectively zero,” signaling a complete shutdown.”
— by TechRadar.
Um cenário sem precedentes de isolamento digital ocorreu no Irã, onde as autoridades implementaram um bloqueio total da internet em resposta a uma série de protestos nacionais. Especialistas em segurança digital (incluindo Amir Rashidi, que monitoriza a rede iraniana há duas décadas), afirmam nunca ter testemunhado uma restrição desta magnitude. Ao contrário de bloqueios anteriores que visavam plataformas específicas, esta medida cortou quase todas as formas de comunicação interna e externa, deixando a população isolada.
Perante o bloqueio das redes fixas e móveis tradicionais, muitos iranianos recorreram aos terminais Starlink da SpaceX para manter o acesso ao mundo exterior. Contudo, o regime iraniano intensificou os seus esforços de contra-ataque através do uso coordenado de “jammers” (inibidores de sinal) e interferências de GPS. Estes ataques eletrónicos degradaram severamente a performance das ligações por satélite, com relatos de perdas de pacotes de dados na ordem dos 30%, o que torna a navegação extremamente difícil.
A gravidade da situação é corroborada por dados da Proton VPN, que registou uma queda drástica no tráfego de dados proveniente do país. Habitualmente, as VPNs são a ferramenta preferida dos cidadãos para contornar a censura imposta, mas tornam-se inúteis quando a infraestrutura de Internet subjacente é desligada por completo. Em suma: o governo está a atacar a própria conectividade básica, o que representa uma escalada técnica significativa na repressão digital.
Por fim, as consequências humanitárias deste “blackout” são enormes, pois o bloqueio não só impede a organização de realizar protestos, como também interrompe os serviços essenciais, o comércio e o contacto de famílias com o exterior. A situação é descrita como um teste crítico para tecnologias de acesso resilientes (como o Starlink), que agora enfrentam táticas de interferência sofisticadas por parte de um Estado, que por sua vez está determinado em manter o silêncio informativo absoluto.
Tirando o fato de não poder assistir séries de TV, até que eu ficaria numa boa… &;-D