… do que muitos pensam, isto é ótimo! Há alguns dias, participei de uma discussão sobre a baixa adoção dos sistemas GNU/Linux para o uso em desktops, a qual abordava vários tópicos sobre o assunto. No geral, apesar de entregar uma boa experiencia para os seus usuários sob vários aspectos (usabilidade, estabilidade, segurança, uso, etc), o Linux ainda possui uma fatia ínfima do mercado, mal chegando aos 4% (embora estes números não sejam exatos). Por isto, muitos acreditam que as comunidades que surgiram em prol do Software Livre deveriam “desistir” das iniciativas em prol do Linux em desktops…
Apesar de ser usuário do sistema de longa data (desde 1999/2002), apaixonado pelo Software Livre e até mesmo um “evangelizador” do Linux, também acredito que estas campanhas são uma bela perda de tempo. Vou mais além: os mantenedores de distribuições “fáceis de usar” e “acessíveis para o público geral”, deveriam mesmo é concentrar os seus esforços para melhorá-las em diversos aspectos, ainda que estas distros exijam uma certa curva de aprendizado. Pois prefiro um sistema poderoso e funcional (mesmo “complicado” de usar), do que algo capado por opção (como é o caso de sistemas customizados para se “parecerem” com o Windows).
A realidade é que, para os usuários classificados como leigos e iniciantes, o Linux definitivamente não é uma opção. Pois além das dificuldades de aprendizado e de adaptação, muitos deles sequer desejam sair do conforto oferecido pelo sistema que já utilizam há anos, mesmo com todos os seus problemas técnicos e limitações que já conhecemos. Não raro, eles também oferecem uma grande resistência para a sua utilização, chegando ao ponto de fazer até mesmo algumas sabotagens e ameaçando abandonar os seus postos de trabalho. Pois já vi isto acontecer, em algumas consultorias que prestei há alguns anos.
Pois como diz o ditado: “se trocar a cor da grama, o burro morre de fome”…
Porém, a coisa muda de figura quando se trata de usuários médios e avançados. Estes, por terem um certo conhecimento técnico de computação pessoal, estarão em uma posição muito mais confortável para se aventurar neste incrível universo do Software Livre. Muito provavelmente já até utilizam algumas aplicações livres que são bastante populares nas principais distribuições do mercado, em vista de muitas delas serem multiplataformas. Se existe uma coisa que estas classes de usuários gostam são as novidades e isto, temos de sobra no Software Livre.
Eis, a minha recomendação: incentivem o uso e a adotação de sistemas GNU/Linux, apenas para os usuários “diferenciados”! Estes, são aquelas pessoas “acima da média”, que possuem uma boa desenvoltura com PCs desktops e portáteis, além de terem um certo apreço pela Informática, como é (principalmente) o caso dos profissionais de TI em geral. E mesmo os demais que não são especialistas no assunto, mas que possuem uma relação íntima com a computação pessoal, estes também merecem uma atenção especial, como é o caso dos entusiastas e outros profissionais de diversas áreas, que usam o PC como ferramenta essencial de trabalho.
Esta mudança estratégica irá tornar os sistemas GNU/Linux mais populares nas estações de trabalho? Não. No máximo, iremos conquistar apenas alguns míseros pontos percentuais. No entanto, se pudermos contar com uma base de usuários maior, que por sua vez já é “seleta por natureza”, o Linux poderá se beneficiar bastante à médio e longo prazo! Um linuxer não é um simples usuário: por serem pessoas dotadas de conhecimentos técnicos acima da média, as suas opiniões, escolhas, atitudes e posicionamento, terão uma certa influência no mercado da computação pessoal. Se poucos já fazem “barulho”, imaginem alguns a mais?
Acredito que 10% seja uma marca simbólica, para presenciarmos as mudanças que nós linuxers, tanto desejamos no mercado de TI: o suporte oficial por parte dos fabricantes e desenvolvedores, resultando na maior compatibilidade de hardware e na disponibilidade de softwares comerciais, entre outras vantagens e melhorias que poderiam ser alcançadas, graças a boa visibilidade. E quem sabe, aumentar a sua presença a ponto de atrair até mesmo os usuários não tão “diferenciados”, que mesmo apesar das suas limitações, conseguem usar os recursos básicos do sistema?
Pois há tempos, sabemos que as abordagens tradicionais nunca funcionaram… &;-D
1 thought on “Eis, a (dura) realidade: o Linux não é para todos! Mas diferente…”