… de cópias de softwares, sem autorização. Mas não estamos falando de um jovem qualquer e sim, de Bill Gates! O infame brilhante empresário fundou a Microsoft, que por sua vez se consolidou no mercado de Tecnologia graças a dobradinha de softwares Windows (sistema operacional) e Office (suíte de escritório). Por incrível que pareça, foi justamente o fato dele fazer “vista grossa” para a pirataria de software, que os seus produtos se tornaram onipresentes nos PCs desktops dos usuários: “melhor eles nos copiarem do que usar os produtos da concorrência”…
“Just months after his 20th birthday, Bill Gates had already angered the programmer community. As the first home computers began appearing in the 1970s, the world faced a question: Would its software be free? This week marks the 50th anniversary of the day young Gates penned his infamous 1976 “Open Letter to Hobbyists”, complaining that his very first piece of commercial software had been pirated. It kicked off a series of reverberations, along with a major controversy that would continue boiling over the next half century – and ultimately shape the world we live and work in today.”
— by The New Stack.
Mas há 50 anos, bem: as coisas eram bem diferentes: Bill Gates escreveu a famosa “Carta Aberta aos Hobbistas”. Com apenas 20 anos na época, o cofundador da Microsoft manifestou a sua frustração com a comunidade de entusiastas de informática, que partilhava livremente cópias do Altair BASIC (o primeiro produto comercial da sua empresa). Gates argumentava que o tempo e o esforço investidos no desenvolvimento de software de qualidade não poderiam ser sustentados se os utilizadores continuassem a “roubar” o código sem pagar as devidas licenças.
O contexto histórico da época era bem diferente dos dias atuais e o PC Altair 8800 estava a dar os primeiros passos no mercado doméstico. Enquanto Gates via o software como um ativo comercial valioso que exigia remuneração para financiar futuros desenvolvimentos, a comunidade de hackers e entusiastas (centrada em grupos como o “Homebrew Computer Club”), tinha uma mentalidade de colaboração e partilha gratuita. Para muitos deles, o software era um acessório necessário para o hardware e não algo que devesse ser vendido separadamente.
Inclusive, Richard Stallman (fundador do Software Livre) fazia parte do grupo!
Eis, a ironia: o Altair BASIC foi desenvolvido por apenas duas ou três pessoas, algo que hoje seria considerado um projeto de lazer. Mas Gates, o transformou em um modelo de negócio poderoso! Bruce Perens (pioneiro do Open Source) e outros experts no assunto, observaram que a visão de Gates foi fundamental para estabelecer a indústria do software proprietário, tal como a conhecemos atualmente. Ironicamente, essa mesma postura gerou uma resistência que alimentou o nascimento e a estruturação do movimento de Código Aberto, anos mais tarde.
A narrativa também aborda como esta carta se tornou um marco de rutura cultural na computação. O “conflito” iniciado por Gates em 1976 definiu as fronteiras entre os interesses comerciais das empresas de tecnologia e os ideais da comunidade de programadores que defendiam a liberdade de informação. Pelo visto, a revolta de Gates contra a “pirataria de software” foi o catalisador que forçou o mundo a decidir se o software deveria ser uma mercadoria protegida por direitos de autor ou um bem comum partilhado com todos os interessados.
Por fim, refletindo sobre o legado deste momento meio século depois, podemos notar que ambos os modelos – o proprietário e o livre – acabaram por coexistir e moldar o ecossistema tecnológico moderno. Embora Gates tenha sido visto por muitos na altura como um vilão que tentava lucrar com um hobby comunitário, a sua insistência no valor comercial do software permitiu o crescimento da Microsoft e de toda uma economia digital, provando que aquela carta de 1976 foi um dos documentos mais influentes da história da tecnologia.
Ainda assim, não colocaria Stallman e Gates juntos em uma palestra… &;-D