… navegador web? Eita! Aqueles que me conhecem, sabem que tenho um carinho especial por duas aplicações que reinam, no universo do Software Livre: o navegador web Firefox e a suíte de escritório LibreOffice. Apesar da minha relação “conturbada” com o Firefox (que tem me deixado na mão em algumas oportunidades), continuo usando ele. Já o mesmo, não posso dizer em relação ao LibreOffice, o qual tenho usado bem menos, ao migrar os meus documentos para a nuvem e utilizar os serviços oferecidos pelo Google (Drive e Workspace)…
“Browser-based tools are a huge part of how many of us work and collaborate on documents. Services like Google Docs or Office 365 make real-time collaboration simple and accessible from anywhere. And while there are some open-source alternatives to these tools, a familiar name may soon return. LibreOffice’s long-dormant web app is on its way back, and the timing could not be more perfect.”
— by How-To Geek.
O LibreOffice Online está a preparar o seu regresso como uma alternativa de código aberto baseada no navegador aos serviços dominantes como o Google Docs e o Microsoft 365. Após ter sido colocado em pausa em 2022 devido a dificuldades de tração e conflitos de interesse com projetos comerciais (como o Collabora Online), a Document Foundation decidiu retomar o desenvolvimento. O objetivo é oferecer uma suite que inclua as ferramentas principais – Writer, Calc e Impress – acessíveis a partir de qualquer lugar sem necessidade de instalação local.
Diferente das soluções da Google ou Microsoft, o LibreOffice Online não será um serviço de nuvem pública onde basta criar uma conta para usar. Ele foi concebido para ser auto-hospedado (self-hosted), o que significa que indivíduos ou organizações devem instalá-lo nos seus próprios servidores ou utilizá-lo através de plataformas como o Nextcloud. Esta abordagem garante que o utilizador mantenha o controle total sobre a sua infraestrutura e assim, ter uma maior soberania dos seus próprios dados.
Uma das maiores vantagens desta versão web é a manutenção da compatibilidade robusta com os formatos do Microsoft Office (Word, Excel e PowerPoint). Enquanto outras alternativas falham frequentemente na formatação ao abrir ficheiros proprietários, o LibreOffice Online herda a força do motor de desktop, permitindo que a transição entre o trabalho local e na nuvem ocorra com o mínimo de problemas técnicos. Ao menos, em tese (pois já tive alguns problemas com o formato “aberto” da Microsoft, especialmente no quesito formatação).
A decisão de ressuscitar o projeto surge num momento em que cresce o interesse pela privacidade e pela independência tecnológica face às “Big Tech” (especialmente as americanas). Muitos utilizadores e empresas procuram evitar o aprisionamento tecnológico (vendor lock-in) e a dependência de fornecedores baseados nos EUA. O auto-hosting permite auditar o código e garantir que a colaboração em documentos sensíveis não esteja sujeita à vigilância governamental e/ou às políticas de terceiros.
Embora o entusiasmo seja grande, a Document Foundation recomenda cautela, desencorajando o uso em ambientes de produção de larga escala até que o software seja considerado totalmente seguro e estável. Para já, o foco está em atrair programadores e entusiastas para testar a ferramenta. O projeto representa uma segunda oportunidade para o LibreOffice se afirmar num mundo onde o trabalho colaborativo no browser se tornou a norma absoluta.
Será este, o fim da minha “dependência” ao Google Workspace? Veremos… &;-D