Porquê certas pessoas “odeiam” a Inteligência Artificial? Pois…

… nestes últimos tempos, tenho acompanhado com bastante entusiasmo a evolução da Inteligência Artificial, bem como todas as suas implicações (tanto positivas, quanto negativas) para as nossas vidas. Na minha opinião, estamos vivendo (e testemunhando) um momento muito especial na história da Tecnologia da Informação (apesar de muitos não estarem se dando conta disso), no qual a IA protagoniza profundas transformações em nossos trabalhos, estudos e diversão. Mas infelizmente, muitas pessoas (ainda) se posicionam contra a ascensão da IA…

A começar pelo trabalho, temos a clássica reclamação de que a IA “vai tomar os nossos empregos”. Se estou de acordo com ela? Sim e não! Por um lado, já sabemos que determinados postos de trabalhos e suas respectivas funções, irão sofrer profundas reformulações e por isto, teremos tantos cortes de empregos quanto novas admissões. Os profissionais que em geral, executavam tarefas de caráter não criativo e repetitivo, serão os que mais irão sofrer com estes cortes. Por outro lado, esta também será uma bela oportunidade para aqueles que desejam ingressar no mercado de trabalho (caso saibam utilizar a IA ao seu favor), pois muitas profissões atualmente já exigem o uso da IA como pré-requisito.

Nestes novos tempos, o profissional moderno irá assumir funções de mais alto nível, delegando muitas das tarefas de sua responsabilidade (repetitivas e que em geral, não exijam muita criatividade), para serem feitas pela IA. No entanto, ele ainda deverá realizar a auditoria destas tarefas, além de promover os ajustes pontuais para que seja entregue o resultado desejado. Como exemplo prático, esta é a situação atual de muitos desenvolvedores de softwares, que passaram a solicitar as ferramentas de IA generativas a gerar o código desejado e a partir daí, dar continuidade ao processo de desenvolvimento dos softwares.

Já em relação aos estudos, a IA se tornou uma incrível ferramenta para auxiliar no aprendizado, em virtude da sua capacidade de realizar uma série de tarefas. Estas por sua vez, vão desde a tirar dúvidas dos estudantes a redigir material técnico/didático de acordo com os seus interesses, além de criar cronogramas de estudos, sugerir (e corrigir) atividades práticas, montar baterias de testes e questionários e até mesmo, atuar como tutor virtual! Embora auxiliem bastante nestes processos, a utilização da IA ainda deverá ser adotada com cuidados, em vista da possibilidade de produzir conteúdos imprecisos e/ou não revisados.

Como instrutor de TI, obviamente venho acompanhando a evolução das plataformas e dos serviços educacionais, que fazem o uso da IA como ferramenta de apoio. Ao invés de me sentir “intimidado” por ela, não só a utilizo em minhas atividades como também ainda leciono em cursos que ensinam a sua utilização! Além disso, determinadas práticas e abordagens ainda necessitam da presença humana, como é o caso de estudantes leigos que (ainda) não possuem muitas habilidades para usar computadores, além de se não se sentirem muito confortáveis em utilizar a IA, para atender as suas necessidades (ou ainda, se recusam a fazer o seu uso).

Por fim, até mesmo a diversão merece uma atenção especial, com destaque para os jogos eletrônicos. Nestes últimos tempos, têm surgido uma crescente onda de protestos por parte dos jogadores, contra os estúdios que utilizam a IA para desenvolver os seus jogos e por isto, muitos deles acabaram sendo boicotados. Estas reclamações até fazem sentido, já que esta tecnologia têm deixado os jogos com uma cara mais “genérica” e “sem vida”. Em geral, a originalidade é fundamental para garantir a criação de personagens carismáticos, de histórias envolventes e de mundos interativos. Mas por incrível que pareça, isto não é culpa da IA.

A IA (generativa) é uma tecnologia poderosa que nos auxilia muito na criação de diversos tipos de trabalhos. Porém, a responsabilidade pelo seu uso (seja bom ou ruim) recaem sobre os profissionais que fazem o seu uso! Ela não é (ainda) capaz de usar a criatividade (tal como os humanos), apenas cria novos conteúdos com base em padrões aprendidos em vastos conjuntos de dados. A tarefa de dar um “toque final” na obra é de responsabilidade do artista, mas infelizmente muitos sequer se dão ao trabalho de fazerem revisões e auditorias. As ferramentas de IA serão capazes de te entregar um belo diamante bruto: cabe você a lapidá-lo.

Eis, a realidade: a IA (generativa) veio para ficar! Ou nós a aceitamos e buscamos viver da melhor maneira possível com ela (mesmo que as transformações trazidas por ela acabem impactando as nossas vidas de forma negativa) ou que ao menos, estejamos pronto para bancar as consequências (sejam negativas ou até mesmo positivas) pelo posicionamento contrário a ela. E esta não é a primeira vez (assim como também não será a última vez) que vemos pessoas com perfis geralmente conservadores, se oporem à evolução tecnológica!

Pois como diz a velha máxima: “quem não conhece a própria história…” &;-D

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