… OpenOffice, então ambas seriam excelentes alternativas em comparação ao Microsoft Office? Infelizmente, não. Apesar de ambas as suítes suportarem o formato Open Document Format (ODF), adotarem licenças de Código Aberto (as quais não possuem copyleft forte) e terem uma base de código em comum (como já foi dito, o LibreOffice é uma ramificação do OpenOffice), elas seguiram o seu caminho e com o passar do tempo, se tornaram projetos relativamente distintos, embora ainda conservem algumas semelhanças e particularidades…
Há +15 anos, a Oracle adquiriu a Sun Microsystem e de tabela, assumiu a tutela de vários projetos como o próprio OpenOffice, além do MySQL (banco de dados relacional) e do VirtualBox (plataforma de virtualização). Descontentes com os rumos que estes projetos estavam tomando, as comunidades de desenvolvedores que se formaram em torno destes projetos criaram as ramificações (forks) e assim, surgiram o LibreOffice e o MariaDB. Com o passar do tempo, o suporte promovido pelas suas comunidades foi fundamental para a relevância destes projetos, onde ambos passaram a ter um desenvolvimento bem mais ativo e regular.
Após a ramificação, o OpenOffice teve uma queda de ritmo considerável em seu desenvolvimento, em virtude da insatisfação dos seus desenvolvedores quanto as tomadas de decisão por parte da Oracle. Alguns o abandonaram para fundar o LibreOffice, ao passo que outros migraram posteriormente para a nova suíte, em vista das incertezas e definições contestáveis quanto a futuro da suíte original. Além disso, a própria Oracle não se mostrava muito interessada no projeto e tempos depois, a empresa decidiu doar o OpenOffice para a Fundação Apache. A partir daí, ele se tornou mais um projeto sob a sua tutela.
Mesmo assim, tais eventos não foram suficientes para trazer de volta os desenvolvedores originais, nem mesmo incentivar a vinda de novos colaboradores. Como resultado, o Apache OpenOffice ficou praticamente estagnado na versão 4.x, além de perder a sua base de usuários para a sua ramificação. Por isto, nem é preciso dizer os motivos pelos quais o LibreOffice é uma escolha óbvia e sensata, já que esta suíte vem recebendo bastante recursos e melhorias, além de se manter atualizada com mais frequência (chegando ao ponto de mudar o seu sistema de versionamento, como reflexo do seu desenvolvimento ágil).
O que esperar das futuras versões do LibreOffice? Embora tenha inicialmente defendido a idéia de uma suíte mais simples, dotada de recursos essenciais e com ênfase na facilidade de uso, confesso que nestes últimos tempos estes conceitos amadureceram para uma abordagem mais modular, onde os recursos básicos são mantidos na suíte, ao passo que os recursos avançados são concedidos através de extensões, tal como a própria Microsoft faz no seu Office através do suporte aos suplementos. E de quebra, promover este suporte para que terceiros desenvolvam as suas próprias extensões, sejam elas livres ou proprietárias.
Mantendo o foco SEMPRE nas três aplicações: Writer, Calc e Impress… &;-D