… admiração! 1999 foi um ano especial para mim. Na época, já considerava mudar de carreira e abandonei o ramo da metalurgia, migrando para a área de TI (desenvolvimento). Por isto, já acompanhava as publicações técnicas feitas pelas principais revistas e jornais da época. Uma destas publicações, trazia uma matéria sobre um sistema operacional alternativo que mesmo na época, chamava muito a atenção do mercado: o tal “GNU/Linux”. E o resto da história, vocês já conhecem…
Durante este +25 anos em que me tornei um usuário aficionado pelo sistema (de mero curioso, passando a utilizar efetivamente o sistema a partir de 2002 para enfim, obter a primeira certificação profissional em 2013). Também tive a oportunidade de conhecer alguns personagens deste universo chamado Software Livre, além de admirar os grandes nomes internacionais, como Linus Torvalds (kernel Linux), Richard Stallman (Projeto GNU) e Patrick Volkerding (Slackware Linux).
Posteriormente, um novo personagem surgiu “na calada da noite”. Embora ele (na minha opinião) tenha feito grandes contribuições que o credenciam para estar no “hall da fama” do Software Livre, na prática ele é visto como uma personalidade “controversa” pela comunidade do Software Livre. Isto se deu, principalmente em vista da adoção de posicionamentos que vão de encontro com a cultura comunitária e de livre escolha, promovida pelo Software Livre. Em destaque, está a criação de projetos que rompem com as tradições Unix, como é o caso do systemd.
Em um universo que antes, era fragmentado por ferramentas para a inicialização do kernel Linux e a gestão de recursos do sistema operacional, o systemd se estabeleceu de fato como um padrão para as distribuições GNU/Linux modernas, ao unificar um grande conjunto de ferramentas em um único projeto centralizador, algo que desafia as tradições Unix em dispor de “uma ferramenta que faça apenas uma coisa” (não complementei com “de forma eficiente” para não gerar interpretações dúbias, pois o systemd é muito bom no que faz).
Isto gerou uma grande revolta para os entusiastas mais antigos de sistemas Unix, que prefeririam fazer as coisas “à moda antiga”. Além disso, muitos usuários viram esta adoção massiva do systemd como um processo forçado e sem o devido consenso comunitário, além de ter sido foi promovido por uma distro corporativa: o Red Hat Enterprise Linux. Para variar, Poettering também defendia a modernização da infraestrutura de software das distros GNU/Linux, mesmo que isto levasse a quebra de compatibilidade com os padrões POSIX, algo que também não era muito bem visto pela ala mais “conservadora” da comunidade.
Poettering também é uma pessoa dotada de uma personalidade forte e difícil de lidar, em virtude das suas posições firmes e irredutíveis em relação diversos aspectos técnicos relacionados ao systemd e demais projetos essenciais. Por fim, se ele tivesse que fazer críticas duras e apontamentos que ferissem o ego de pessoas importantes no universo do Software Livre (embora muitas vezes, corretas), bem: ele o fazia sem pestanejar. No final das contas, muitas personalidades não gostavam do seu “jeito antipático de ser”!
Porém, as contribuições feitas por ele são inúmeras. O systemd tornou a gestão do sistema muito mais eficiente e prática, reduzindo bastante a curva de aprendizado dos administradores de diferentes distros, ao passo que outros projetos como o Avahi (ZeroConf) tornaram a vida dos usuários e administradores de redes mais fácil. Por fim, até mesmo o controverso PulseAudio (um servidor de áudio que teve um começo ruim, em vistas de diversas falhas de implementação) hoje possui um papel de destaque na gestão do subsistema de áudio.
Poettering se tornou (para mim), uma lenda. Além das contribuições já feitas, teremos que levar em conta as futuras que ele ainda poderá fazer, já que atualmente ele trabalha na startup Amutable, especializada em prover soluções de segurança para os sistemas GNU/Linux. Na minha opinião, ele também será um dos principais responsáveis pela ascensão do sistema para o uso em desktops, pois além de ter ajudado bastante para reduzir a fragmentação, a sua startup também está focada em entregar melhorias para promover a adoção do sistema para o uso corporativo.
E como já devem deduzir, se o usuário passar a usar o sistema no trabalho… &;-D