… acredito que a Ubisoft já deu o pontape inicial! Durante esta semana, a empresa anunciou a reformulação daquele que é considerado por muitos, o jogo mais badalado da franquia “Assassin’s Creed”: eis, o “Black Flag”! Ambientado no início do século 18 nas Índias Ocidentais (mar do Caribe) e durante a “Era de Ouro da Pirataria”, este jogo promoveu uma série de melhorias tecnológicas e de enredo para a série, destacando-se o seu gigantesco mundo aberto (apesar da maior parte ter sido composta por mares, ao invés de terras)…
Lançado para a plataforma PC, além dos consoles da 7a. geração (PS3 e Xbox 360) e da 8a. geração (PS4 e Xbox One), em tese o “AC: Black Flag” não precisaria desta reformulação, já que a sua qualidade gráfica ainda é “apreciável” para os padrões atuais (mesmo tendo sido lançado há 13 anos). No entanto, a Ubisoft não irá apenas se limitar a reformular o visual deste jogo e adotar as tecnologias mais modernas (oferecidas pelos subsistemas gráficos): a empresa pretende redefinir toda a já excelente experiência proporcionada pelo jogo!
O novo “AC: Black Flag Resynced” será agraciado com uma série de adições, destacando-se os elementos de RPG para aprimorar a sua jogabilidade (e evolução de personagem), além de ampliar a história principal e o enredo com novas missões, personagens e localizações. Em suma, o jogo será reconstruído de uma tal forma, que nem sequer saberia classificá-lo com exatidão: poderíamos dizer que ele seria uma bela remasterização ou se tornaria um profundo remake? Não sei dizer. Mas uma coisa, tenho a mais absoluta certeza: ele não será o único.
Se as investidas da Ubisoft derem certo, acredito que será inaugurada uma nova era para os trabalhos classificados como remaster, remakes e reboots (ou seja lá qual for o termo a ser adotado). Há tempos, sabemos que o desenvolvimento de novos jogos está se tornando cada vez mais caro, em vista de uma série de fatores: a complexidade inerente dos títulos classificados como AAA, o tempo de desenvolvimento necessário, a integração de equipes de profissionais das mais variadas especializações e principalmente, o risco elevado de fracasso.
Trazer um jogo antigo de grande sucesso (ao invés de criar algo inédito) reduziria bastante o impacto destes fatores. Mesmo que alguns jogadores reclamem do “excesso de remakes”, na prática teremos títulos que ainda não foram curtidos pelas gerações atuais, seja por eles serem jovens demais na época em que foram lançados ou por não ter as boas experiências impactadas por tecnologias defasadas. Mesmo que este possa ser o problema, a modernização dos títulos traria novas experiências para aqueles que já curtiram a edição original ou ainda, pretexto para revisitar os bons clássicos “de antigamente”…
Além disso, sabemos que muitos jogos antigos que não tiveram um grande sucesso ao propor novas abordagens (por ter idéias consideradas à frente do seu tempo), terão uma nova chance através das reformulações (remaster, remaker, reboot), em virtude das tecnologias modernas que temos à disposição para a criação de jogos. Ou ainda, considerar até mesmo a possibilidade de que os novos jogos sejam criados com a reformulação em mente, ao invés dos estúdios se limitarem a fazer simples remasterizações, como é o caso dos jogos exclusivos de consoles que são portados de uma geração para a outra (muitos jogadores criticam e com razão).
Irônicamente, “AC: Black Flag Resynced” não será o único jogo a ser totalmente reformulado com base nesta proposta. Outros até mesmo mais antigo serão lançados em breve, como é o caso de “Tomb Raider: Legacy of Atlantis”. Já outros títulos que foram apenas remasterizados, como é o caso de “The Elder Scrolls: Oblivion”, já se mostraram bastante promissores em termos de aceitação, tanto por parte da antiga geração (que revisitaram um clássico amado) quanto da nova (que tem a oportunidade de curti-lo, mas sem as amarras de engines datadas).
Seja como for, a indústria de jogos eletrônicos precisa reformular as suas metodologias de trabalho e os conceitos artísticos para a criação de jogos, já que estamos chegando em uma época na qual os grandes investimentos já não são mais suficientes para garantir o sucesso. Acredito que elas deveriam promover planejamentos de médio e longo prazo, onde as suas principais IPs possam ser concebidas e gerenciadas para tirarem proveito das reformulações inteligentes, que possam agregar mais do que se limitarem a simples remasterizações.
Mais uma vez, estou “pirando na batatinha”? Só o tempo dirá… &;-D